Pauline Oliveros — Escuta profunda

 

Pauline Oliveros, ganhadora do Prêmio John Cage 2012 da Foundation for Contemporary Arts, sobre a escuta:

Bem, em geral existem duas formas de escutar: escuta focada e escuta aberta, global e receptiva. Isso também é verdade no caso da visão, podemos focalizar algo em detalhe e podemos ter uma visão periférica do ambiente. Então, podemos também desfocar os olhos de maneira a incluir mais dos 180⁰ que conseguimos ver, e assim nos tornamos bastante sensíveis ao movimento. Isso também se aplica à audição. Podemos de certa maneira desfocar os ouvidos, e assim incluir todos os sons ao redor, dentro de nós, em nossa memória ou imaginação, tudo ao mesmo tempo. A melhor imagem ou metáfora que tenho para isso é uma tapeçaria de som: fios de som que vêm e vão e alguns que permanecem. Tentar expandir a si mesmo para incluir mais e mais do ambiente, chamo isso de escuta inclusiva. E então, quando algo atrai nossa atenção para que o foquemos, isso é escuta exclusiva. Podemos fazer ambas ao mesmo tempo, na verdade. Tenho muitos exercícios e obras que tentam expor essas diferentes formas. E é isso o que fazemos nos retiros de Escuta Profunda. Escuta Profunda é um processo. Penso que a melhor definição que poderia dar é escutar tudo ao mesmo tempo e dar-nos conta quando não estamos escutando. Também temos de entender que há uma diferença entre ouvir e escutar. Na audição, os ouvidos incluem todas as ondas e partículas de som e as conduzem ao córtex auditivo, onde a escuta tem lugar. Não podemos desligar nossos ouvidos ― os ouvidos estão sempre assimilando informação sonora ―, mas podemos desligar nossa escuta. Sinto que a escuta é a base da criatividade e da cultura. Como estamos escutando é como desenvolvemos uma cultura, e como uma comunidade de pessoas escuta é o que cria sua cultura.

“Entrevista com Pauline Oliveros” (em inglês), com Alan Baker

 

“O que quer que esteja acontecendo onde você estiver é parte do que você está aprendendo exatamente agora. Então você pode se perguntar: o que estou aprendendo? que inteligência estou adquirindo dos sons que ouço? Porque todo som é uma inteligência: é algo vivo, que está acontecendo. Se você escutar dessa maneira, as coisas começam a mudar.” (Pauline Oliveros, entrevista produzida por Roulette Intermedium)

 

Share on Tumblr