John Cage: fazendo perguntas
David Tudor (esquerda) e John Cage no Shiraz Art Festival (1971). Foto: cortesia Cunningham Dance Foundation, via Wikipedia Carlos A. Inada / São Paulo / Via Yvonne Senouf A Philip Johnson Glass House, em seu programa Glass House Conversations — diálogos online moderados por líderes diversos de disciplinas criativas como arquitetura, arte, design, paisagismo e preservação —, está promovendo uma discussão online baseada em uma afirmação de John Cage, e em uma pergunta de Paul Soulellis, facilitador da discussão:
Do site das Glass House Conversations:
A discussão receberá comentários até domingo, 19 de fevereiro — e é uma boa oportunidade para participar de uma discussão pública sobre o legado de John Cage, principalmente para arquitetos e designers, público principal da Philip Johnson Glass House. Pessoalmente, fico curioso por saber mais do caminho que leva da afirmação de Cage à pergunta de Soulellis — principalmente à ênfase deste nas noções de “ego” e “humildade de design”, que provavelmente refletem um tema de interesse e pesquisa de Soulellis. Além de confirmar a afirmação de Cage, de que “não é fácil fazer perguntas”, a discussão parece expressar temas que vimos abordando em nossos projetos em Dharma/Arte: O que queremos dizer quando nos referimos ao “ego”? Até que ponto críticas ao ego são úteis a artistas e criadores? Até que ponto elas reforçam o ego, ao mesmo tempo que tiram a confiança do criador naquilo que ele faz? Até que ponto a maioria das abordagens críticas, ao proporem o que “precisamos” fazer, aquilo que “precisamos” abandonar etc., está reforçando uma abordagem “negativa” da criatividade, baseada naquilo que supostamente nos falta e não naquilo que podemos compartilhar? Fazer perguntas parece ter a ver mais com abertura do que com restrições, com abrir mão de ideias preconcebidas que nos dão controle sobre as situações e encontrar maneiras que permitam que os processos se desenvolvam por si próprios, não por causa de algum imperativo moral (como o sugerido pela oposição “ego” × “humildade”), mas em busca de uma ligação mais verdadeira com o que quer que aconteça. Faça seus comentários, e participe também da discussão no site das Glass House Conversations. Leia também: “Homem Comum Enfim: duas conversas com John Cage”, em D/A Magazine |


