
Esculturas de Porfirio Vasquez. Fotos: Bill Scheffel Carlos A. Inada / São Paulo Na mais recente atualização de seu blog dedicado ao princípio do drala, Bill Scheffel introduz uma reflexão sobre criatividade e sua fecundidade — por meio do trabalho de Porfirio Vasquez: Nossa caminhada nos levou a uma área abandonada da baía, perto de uma usina de carvão desativada e dos navios ancorados atrás dela. Encontramos gaivotas, tarambolas e até mesmo martins-pescadores que aproveitavam a maré baixa da costa, carregada de mariscos, algas marítimas, pedaços de placas de concreto, restos de pneus e de mármore antigo, garrafas e vidro. Em meio a esse campo de ferrugem e detrito encontramos um artista de infinita tristeza, um homem de 38 anos proveniente de Guanajuato, México, vestindo um boné do Oakland Raider. Porfirio Vasquez conversou conosco em seu inglês precário e explicou, com a ajuda de artigos de jornal a respeito dele, as obras de arte que havia criado e no meio das quais ele estava. Trabalhando com pedras desde os treze anos, Vasquez cobrira toda a área daquele misto de terreno baldio e santuário de pássaros com esculturas de pedras e detritos. Iguanas, garças-reais, esqueletos feitos de pedra e restos de madeira. Automóveis feitos de arame e vidro. Pilhas abstratas de pedras. Era o trabalho de uma criança, de um escultor habilidoso, de um semigênio enfraquecido e solitário. Porfirio Vasquez: obcecado pelo fantasma de produzir fragmentos de suas próprias visões; um sem-teto, um William Blake mexicano com o braço esquerdo ferido. Trabalhando talvez a serviço ou à mercê dos dralas. Dizer qualquer coisa mais sobre Porfirio Vasquez ou sua arte seria especulação. Estes poucos parágrafos são um tributo a ele — nada mais do que uma pedra arremessada em um lago, e a onda que ela cria não é mais significativa que um eco. Mas o que faz um eco, e o que está do outro lado dele? Essas questões são significativas. É a descoberta de nossa própria poesia e a marca que ela deixa no mundo que conta mais neste cosmos triste, amável e infinitamente cheio de significados. Dessa maneira, Porfirio Vasquez serve como um espelho para nós e caminho a nosso lado.

No mesmo texto, Bill Scheffel gentilmente introduz Dharma/Arte a seus leitores, e é uma honra estar no mesmo texto com a poesia de Porfirio: Dharma/Arte [...] inspira-se nos ensinamentos de dharma/arte de Chögyam Trungpa. Publica em português, embora a maioria dos textos também sejam traduzidos em inglês. É um sistema de polinização e um experimento bilíngue, que cruza hemisférios e culturas. É um arquivo ou um lar para escritos de ou informações sobre não apenas Chögyam Trungpa, mas outros ancestrais essenciais — alguns vivos, outros não — do particular terreno pós-moderno que é dharma/arte: John Cage, Meredith Monk, Allen Ginsberg, Gary Snyder, Laurie Anderson. É um quadro e uma publicação de praticantes atuais desse terreno, do conhecido ou semiconhecido ao anônimo, incluindo anônimos das favelas. O principal motor de Dharma/Arte é Carlos Inada, de São Paulo, Brasil. Carlos trabalhou incansavelmente para lançar e manter essa concepção bilíngue e elegante. Compartilharei links ocasionais de Dharma/Arte no futuro, mas confiram vocês mesmos, especialmente o blog. É uma expressão da vastidão criativa do princípio do drala, assim como um site do qual muitos leitores podem gostar e dele participar. Esta é também a última semana da campanha de arrecadação de fundos de Dharma/Arte, e se algum de vocês se inspirar para apoiá-los assim, seria naturalmente bem-vindo.
Obrigado pelas palavras, Bill — e visitem o blog de Bill Scheffel para ler o texto na íntegra, assim como outras explorações do princípio do drala. 
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