Lucy Walker — O tsunami e a flor de cerejeira

Trailer de O tsunami e a flor de cerejeira, filme de Lucy Walker, parte da seleção oficial do Sundance Film Festival 2012 (vídeo via Steven Silberman)

Penso que nada havia me preparado para o choque da total devastação produzida pelo tsunami, como ele havia destruído cidades inteiras, matando mais de 15 mil pessoas, com 7 mil ainda desaparecidos. Ainda que tivesse visto e lido muito a respeito, fotos não podem capturar o impacto em 360 graus da destruição.

Primeiro temia que as pessoas não quisessem falar conosco. Ouvira que a cultura japonesa é muito reservada, particularmente no que concerne a estrangeiros, mas descobri que as pessoas realmente queriam contar sua história. Surgiam naquele cenário de aparência pós-apocalíptica especialmente para nos encontrar. Três ocidentais, chegando a uma das áreas mais esvaziadas da região, possivelmente os intrigava também, mas principalmente tinham a preocupação de que as pessoas não estivessem ouvindo suas histórias. Assim o filme tem um tanto de fábula de cura, é sobre como essas pessoas encontraram coragem para seguir em frente, e para reviver e reconstruir em face de tamanha perda e devastação, assim como a flor de cerejeira, símbolo da primavera e dos novos começos, estava se abrindo. É uma imagem encorajadora e incrivelmente bela desse renascer, e eu não precisava forçar as pessoas a usar a comparação nas entrevistas — elas espontaneamente falavam da flor de cerejeira, constantemente. Quando falavam de esperança e de seguir em frente, apontavam para as árvores diziam — elas ficaram submersas na água salgada e não morreram, é por isso que estou aqui! Assim, não senti que estava impondo a elas algum tema tolo para meu filme, surgiu natural e organicamente.

Lucy Walker, entrevista a Rachel O’Meara

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