Fragmentos de som
Foto: Zsolt Zsoló Kóté Carlos A. Inada / São Paulo Há algum tempo publicamos um post para esclarecer um dos mal-entendidos comuns a respeito de Dharma/Arte: “Dharma/Arte não é um blog”. Nossos sites (D/A Magazine, com textos mais longos, com o objetivo de propiciar uma reflexão mais aprofundada; e D/A Blogs, com fotos, vídeos, eventos e textos menores) são um canal de comunicação de nosso projeto, e seu objetivo é colaborar para o desenvolvimento de uma cultura baseada no dharma, na arte e em experiências de transformação. Uma das questões que nos interessa em relação a nossos sites e às redes sociais é seu potencial para o desenvolvimento de uma tal cultura. Como as possibilidades dos meios vêm sendo exploradas? Quais os significados e decorrências disso? Quais são os potenciais que podem ser mais bem explorados? Particularmente, um uso que noto ser bastante frequente entre sites e amigos que acompanho não deixa de causar certa perplexidade, na medida em que, com suas citações ou imagens “inspiradoras”, esse uso lembra aqueles livros de autoajuda no estilo “pérolas de sabedoria”. O que me deixa perplexo é que muitos dos que fazem isso sistematicamente dificilmente gostariam de ser vistos em um café com um desses livrinhos. Além disso, ainda que possam eventualmente ser um estopim para processos mais profundos, tais “pérolas” parecem trazer o risco da condescendência (como se a “inspiração” cotidiana fosse por si só parte de um processo de transformação), ou daquilo que Chögyam Trungpa chamava de “materialismo espiritual” (com a transformação do intangível na tangibilidade das “pérolas de sabedoria”). Depois de um tempo administrando nossas páginas, sabemos que certas citações sobre consciência e atenção, por exemplo, são populares — sendo muito mais “curtidas” e compartilhadas do que outros tipos de publicações. Mas que papel essas citações desempenham para cultivarmos consciência e atenção, e as irradiarmos para o mundo? Um dos caminhos que escolhemos para isso é buscar oportunidades para trabalharmos juntos — em projetos, aulas, palestras e também compartilhando em nossos sites textos mais longos e o trabalho de membros da comunidade Dharma/Arte. Mas gostaria de saber o que pensam. Por ora, deixo… uma citação! De um texto de Alice Haspray, ex-aluna de Shunryu Suzuki-roshi e Chögyam Trungpa Rinpoche, e professora sênior na tradição budista de Shambhala. Estamos sendo, nas redes sociais, capturados por manchetes e fragmentos de som?
Alice Haspray, “Vislumbres de espaço: o dom do princípio feminino” |


